Medo

11 de Julho de 2020

O que mudou na nossa transição de crianças para adultos?

Porque mudou? O que aconteceu?

Ontem dei por mim a lembrar os velhos tempos de Educação Física onde fazer o pino contra uma parede era tao fácil.

Pois era, mas no mesmo momento que me lembrei disso também me lembrei de tentar e não sei porquê, simplesmente tive medo.

Tive medo de arriscar, tive medo de tirar os pés do chão e acreditem ou não tive medo de falhar e de pessoas estarem a ver.

Tenho tão vivo na minha memória de em criança, não me dar ao trabalho de pensar no que  iria acontecer e que o mais importante era a diversão e mesmo caindo ou se chorava ou ria-se tanto até doer a barriga.

Agora, lamento muito como perdemos essa criança ao longo dos tempos.

Temos medo de arriscar, vergonha de mostrar os nossos sentimentos, aquilo que nos faz humanos, pensamos demasiado naquilo que os outros possam pensar ou dizer que nos esquecemos no nosso propósito maior – Ser feliz.

Em crianças não precisávamos de conhecer o nome da outra criança para brincar, simplesmente brincávamos. Hoje, até podemos ver um conhecido na rua, mas pensamos duas vezes se lhe queremos dirigir a palavra ou não. Muitas vezes virar a cara ao lado para evitar a conversa, pensam eles, é a solução mais rápida para não perder tempo.

Tempo. Hoje não temos tempo nem para nós mesmos, não damos valor a vida, não aproveitamos momentos valiosos como família e amigos, não amamos o corpo que nos carrega todos os dias e que nos mantém vivos.

Agora troquem as palavras, troquem de lugar por uma criança. Onde tempo era infinito, a brincar nas ferias de Verão até bem tarde, e, significado de vida era igual a brincar e um saco de gomas. Momentos em família eram bem conhecidos como aquela mesa só para primos, a mesa da canalha e sabia tão bem. Já para não falar em casamentos e festas, que era uma correria onde alguém haveria chorar, mas logo depois estava de volta a corrida. Feridas? O que era isso? Trocava a dor de um coração partido por uma ferida de criança. E em relação ao nosso corpo, desde que desse para correr, sujar roupa, cabelo alagado e eramos felizes. Não se faziam comparações, nem se pesava comida, a sobremesa era melhor parte que até nos fazia parar a digestão.

Já para não falar que as meninas começam desde muito cedo uma espécie de concorrência visual e numérica.

Ao fim disto tudo, onde apenas começou com a tentativa de fazer o pino, só lamento por agir-nos tanto como adultos.

É verdade que todos temos contas para pagar, empregos que as vezes não gostamos, temos de imigrar ou esperar para ver a família 2 vezes por ano. Resumidamente, não temos a vida que sonhamos, mas isso não significa que não podemos ser felizes ou que devemos desistir de tudo.

Arrisca, lança-te, não olhes para os lados, e como muitos dizem, caga nos que outros pensam ou vão dizer.

Vai por mim, que se arriscares e mesmo assim não conseguires, estrares a abrir caminho a outros, a dar coragem.

Lembra-te dos teus sonhos, lembra-te de como usavas a imaginação e lembra-te de como eras feliz por tao pouco.

Abraços,

Patricia Vila Nova

Ps: Ainda vou conseguir voltar fazer o pino outra vez!

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